INTERNACIONAL

Aliados criticam articulação política após fim da escala 6×1 não ser votada no plenário

A não votação no plenário da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, uma…

A não votação no plenário da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, uma das principais bandeiras de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na campanha à reeleição, expôs o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, a críticas dentro do próprio governo e escancarou problemas na articulação política do Palácio do Planalto com o Senado. Considerada peça-chave da estratégia eleitoral do presidente a menos de um mês do primeiro turno, a proposta tinha potencial para reforçar o discurso do petista nas eleições. De acordo com relatos ouvidos pelo Valor, Guimarães estava tão otimista com o avanço da matéria na quarta-feira (2), data inicialmente prevista para a votação, que passou boa parte do dia no Planalto, onde cumpriu uma série de agendas oficiais. Pela manhã, participou da sanção de um projeto de lei que cria protocolos de atendimento para urgências cardiovasculares no Sistema Único de Saúde (SUS). Depois, esteve em uma coletiva de imprensa sobre as ações de prevenção e resposta do governo aos efeitos do El Niño. Porém, quando recebeu sinais mais concretos de que a votação poderia ser adiada, Guimarães foi ao Senado para tentar entender o cenário e conversar com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O ministro chegou apenas ao fim da tarde, depois da Ordem do Dia, e seguiu para o gabinete do presidente do Congresso. Embora tenha sido aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) naquela manhã, acabou não sendo incluída na pauta do plenário, o que causou irritação imediata nas bancadas da base. Agora, a expectativa é que a votação deve ficar só para depois do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, exatamente sob a premissa de não haver uso eleitoral de nenhuma parte. O adiamento, contudo, provocou incômodo no Planalto e na campanha. A avaliação é que Guimarães deveria ter atuado antes para garantir as condições políticas para a votação, especialmente porque a proposta é tida como prioridade pelo potencial de ajudar Lula na reeleição. A PEC da escala 6×1 fazia parte de um pacote de três prioridades legislativas estabelecidas pelo governo para fortalecer a agenda de Lula na corrida eleitoral. As outras duas eram a medida provisória (MP) que acabava com a chamada “taxa das blusinhas” e a PEC da Segurança Pública, que foram adiadas. Apenas a MP foi aprovada. No dia seguinte, na quinta-feira (3), Guimarães passou o dia fora do Planalto, também sem ir ao Congresso. Já na sexta-feira (4), participou de uma agenda de campanha com Lula no Ceará, seu reduto eleitoral, onde tem passado grande parte das sextas. As viagens constantes também passaram a ser vistas com ressalvas por integrantes do governo. No cargo desde abril, Guimarães começou a ser alvo de críticas na articulação política poucas semanas depois da posse. Seu primeiro grande teste foi a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitada pelo Senado. Na ocasião, a avaliação de integrantes do Executivo foi de que Guimarães e o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), não dimensionaram o grau de resistência ao nome de Messias e deixaram brechas para a oposição consolidar votos contra a indicação. À época, aliados do ministro disseram que ele “pegou o bonde andando”, sob a justificativa que a articulação já havia sido toda feita durante a gestão de Gleisi Hoffmann à frente do ministério, e que a derrota não seria culpa dele. Auxiliares do governo, por sua vez, dizem que esse não é um argumento válido, visto que ele já fazia parte da articulação do governo na Câmara e que, pouco tempo ou não, era seu nome que estava na porta do gabinete. A leitura no governo é de que a oposição trabalhou para impedir a votação, especialmente por meio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na eleição. Ao mesmo tempo, auxiliares da gestão federal admitem que a resistência da oposição era previsível e que caberia à articulação política tentar neutralizá-la antes que o assunto chegasse ao plenário. Frustrada com o adiamento, a campanha de Lula tentará colher os frutos apresentado os “responsáveis” pela não votação. A ideia do PT é mostrar aqueles que articularam no Congresso e ligá-los a Flávio, algo que já começou a ser feito pelo próprio presidente, que publicou um texto dizendo que o atraso expõe “quem é quem no Congresso Nacional”. A ideia é que essa força-tarefa fique a cargo da militância e da base no Congresso, que também têm feito publicações nas redes sociais. Procurado via sua assessoria, o ministro não se manifestou. Neste sábado (5), no entanto, ele comemorou o que considerou avanços legislativos da última semana. “Uma semana de diálogo, parceria e muitos avanços para o Brasil!” Na mensagem, ele disse que o governo seguiria “trabalhando para transformar diálogo em resultados” e agradeceu a Alcolumbre e ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), “pela parceria e pelo compromisso com pautas importantes para o país”. Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Aliados criticam articulação política após fim da escala 6×1 não…”?
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Felipe Andrade

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