INTERNACIONAL
Gilmar Mendes diz que seu voto contra precatórios do setor sucroalcooleiro incomodou Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse hoje que o seu voto no caso sobre o pagamento…

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse hoje que o seu voto no caso sobre o pagamento de indenizações a usinas de açúcar e álcool incomodaram o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro tinha precatórios judiciais de empresas do setor. Em publicação no X, o ministro explicou a sua posição, dizendo que sempre foi contra o pagamento de indenizações a usinas do setor sucroalcooleiro por preços que o governo fixou nos anos 1980 e 1990. Para Gilmar, os créditos “contrariam precedente vinculante do STF, comprados das usinas por uma fração do que agora se cobra do Estado e hoje em boa parte nas mãos de instituições financeiras”. Ele também destacou que barrar esses pagamentos foi uma de suas prioridades enquanto chefiou a Advocacia-Geral da União (AGU), entre 2000 e 2002. Leia mais “Minha posição incomodou o dono do Banco Master. Reportagem do Globo de ontem revelou que, em mensagem enviada ao seu advogado em março de 2024, Daniel Vorcaro escreveu: ‘Gilmar está contra mim num caso que estão usando pra ferrar todos meus precatorios”, escreveu o ministro, ressaltando trecho da reportagem que mostrou conversas entre o ex-cunhado de Gilmar, Chiquinho Feitosa, que advogou para Vorcaro e tentou aproximar o ex-banqueiro do magistrado do Supremo. Em nota, o gabinete de Gilmar confirmou que teve uma audiência com o ex-banqueiro em seu gabinete, em abril de 2024, e que tratou de um processo da Destilaria Alcídia, no qual o decano votou contra os interesses do Master, no sentido defendido pela União. Na publicação nas redes sociais, Gilmar reforçou que em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma seu voto contrariou os interesses de Vorcaro. Conversas Como mostrou reportagem da jornalista Malu Gaspar de O Globo, Vorcaro foi aconselhado, em abril de 2024, por Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, a se aproximar do ministro. De acordo com o blog da jornalista Malu Gaspar em O Globo, Feitosa se referia ao dono do Master como “irmão” e “grande amigo” e se apresentava como uma ponte entre Vorcaro e Gilmar Mendes. Procurado, Feitosa disse que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, do grupo do Master, mas não esclareceu o período de vigência nem o valor. Em abril de 2024, quando Chiquinho encorajou Vorcaro a buscar o magistrado, o dono do Banco Master buscava interlocução com Gilmar devido a um julgamento sobre precatórios judiciais do setor sucroalcooleiro na Segunda Turma do STF. A análise do caso sobre os precatórios tinha sido interrompida um mês antes por um pedido de destaque de Gilmar em março de 2024. O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, que cobrava a reparação de prejuízos provocados pela política de fixação de preços do governo nos anos 1980. A ação envolvia pagamentos bilionários e interessava a Vorcaro, já que o resultado do julgamento poderia produzir uma tese que teria impacto direto nos negócios do Master. A ação da Alcidia foi alvo de uma série de interrupções. Em 25 de março de 2024, quando a análise do caso foi retomada, Gilmar pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, Gilmar cancelou o pedido de destaque. Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista. O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master.
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