ECONOMIA

PF cancela depoimento de Campos Neto em investigação sobre atuação de servidores do BC no caso Master

A Polícia Federal cancelou o depoimento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto como testemunha na investigação sobre a…

A Polícia Federal cancelou o depoimento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto como testemunha na investigação sobre a atuação de servidores do BC para supostamente favorecer os interesses do Banco Master na autarquia. A oitiva estava marcado para a manhã desta quarta-feira (7), mas foi cancelada após pedido da defesa de Campos Neto e ainda não há uma nova data para ele ser ouvido. Ontem, a PF tomou o depoimento do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, por vídeo. Ele foi ouvido na condição de testemunha na mesma investigação. Como mostrou o Valor, a PF intimou o atual e o ex-chefe do BC para depor nesta semana para esclarecer fatos e versões que foram apresentadas pelos investigados ao longo do inquérito. Além deles, a corporação também agendou nesta semana depoimentos com o diretor de fiscalização da autarquia, Ailton Aquino, e o sócio sênior do BTG, André Esteves. Todos foram chamados para depor na condição de testemunha. O depoimento de Esteves estava previsto para ser tomado na segunda, mas foi adiado após um pedido da defesa do banqueiro. A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, e já está avançada, mas os investigadores decidiram ouvir mais pessoas após os nomes virem à tona em depoimentos dos servidores afastados do BC investigados Belline Santana e Paulo Sergio Neves de Souza. Neste inquérito, a PF investiga as suspeitas de que os dois servidores teriam atuado para favorecer os interesses do Banco Master mesmo sendo responsáveis por fiscalizar a instituição financeira. As investigações apontam ainda que os dois teriam recebido valores milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, enquanto atuavam no BC. Eles foram afastados da autarquia em março deste ano por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante as investigações da Polícia Federal. Os dois negam as acusações e já foram ouvidos pela PF ao longo da investigação. Como revelaram novas informações, a Polícia Federal considerou ser necessário tomar novos depoimentos das testemunhas. Como revelou o Valor, em seu depoimento à PF em julho deste ano, Souza disse que Aquino teria sido omisso e teria dito para ele “jogar parado” na fiscalização do Master em 2024. O servidor afastado, que também já foi diretor de fiscalização do BC, relatou, ainda, que teria tomado conhecimento das suspeitas sobre o Master por meio de uma “due diligence” realizada pelo BTG. Segundo Souza, o BC, em setembro de 2024, havia decidido fazer um trabalho de análise das carteiras do Banco Master, mas como naquele momento o então futuro presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, estava em processo de sabatina no Congresso Nacional, Aquino teria dito ao então servidor para “jogar parado”. “Assim que o Gabriel Galípolo virar presidente, a gente vai resolver o problema do banco Master”, teria dito Aquino a Souza, segundo o depoimento. Àquela época, o ponto de preocupação era o nível de provisionamento do portfólio. Enquanto isso, o BTG Pactual estava analisando a possibilidade de comprar o Banco Master. O BC vinha buscando uma solução de mercado para a instituição de Vorcaro e o BTG aceitou analisar os números. Souza contou à PF que, no dia 29 de novembro de 2024, recebeu uma ligação de Aquino informando que o BTG descobriu uma fraude de R$ 32 bilhões no Banco Master em seu processo de “due diligence”. O BTG teria feito uma apresentação para o BC em São Paulo, no dia 3 de dezembro, com a presença de Souza, Aquino, do então diretor de organização do sistema financeiro, Renato Gomes, do então diretor de política econômica, Diego Guillen, e do então presidente do BC Roberto Campos Neto. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central José Cruz/Agência Brasil

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Felipe Andrade

Felipe Andrade

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