INTERNACIONAL
TRE-CE impõe perda de 76 minutos de propaganda de Elmano por associar Ciro a Bolsonaro
O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) confirmou a perda de 76 minutos da propaganda eleitoral no rádio e na…

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) confirmou a perda de 76 minutos da propaganda eleitoral no rádio e na televisão do governador do Estado e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), por associar, de forma irregular, a imagem do candidato Ciro Gomes (PSDB) à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A campanha de Elmano afirmou que recorreu da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A menos de duas semanas do primeiro turno, a propaganda de Elmano terá que ceder espaço a Ciro para publicar o direito de resposta do tucano. Leia mais O colegiado do TRE-CE decidiu na segunda-feira (21), por 4 votos a 2, manter o direito de resposta da campanha de Ciro Gomes, que recorreu à Justiça Eleitoral por entender que a propaganda de Elmano teria construído uma linha narrativa agressiva contra o candidato do PSDB e uma associação política inverídica em relação a Bolsonaro. A propaganda de Elmano contestada por Ciro exibiu declarações feitas pelo tucano no passado, em contextos distintos, para atribuir a ele um comportamento agressivo contra mulheres, associando-o ao ex-presidente Bolsonaro. As inserções mostravam falas antigas de Ciro e de Bolsonaro para afirmar que os dois estão do mesmo lado, e apresentavam semelhanças no tratamento dado por eles a mulheres, mostrando um perfil de agressividade quando confrontados. Ciro aparecia chamando uma mulher de “frouxa” e “covarde” e mandando outra “calar a boca”. No direito de resposta, Ciro não poderá divulgar propostas, falar de suas ações quando foi governador do Estado ou fazer acusações contra o adversário do PT. O candidato do PSDB tem o PL do presidenciável Flávio Bolsonaro em sua chapa e lançou ao Senado o deputado bolsonarista Alcides Fernandes, pai do presidente estadual do PL, deputado André Fernandes. Ciro, no entanto, tem evitado se associar a Flávio, por já ter criticado o ex-presidente Jair Bolsonaro no passado e com receio de perder o voto de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado. No Ceará, Lula tem a maioria das intenções de voto, segundo as pesquisas Datafolha e Quaest, e em 2022 teve 69,9% dos votos no segundo turno. A campanha do PT chama o adversário de “Cironaro”, e essa estratégia de associar Ciro à família Bolsonaro gerou uma guerra de ações judiciais. A campanha do candidato do PSDB recorreu na sexta-feira à Justiça Eleitoral para pedir a suspensão de 29 minutos da propaganda do petista na televisão, e conseguiu uma decisão favorável no sábado do desembargador eleitoral Magno Gomes de Oliveira. A defesa de Elmano entrou com um mandado de segurança e conseguiu reverter temporariamente a determinação, suspendendo a perda do tempo de propaganda, em decisão da desembargadora Luciana Arruda. Ciro recorreu novamente ao TRE-CE, pedindo a retirada de outros 47 minutos da propaganda eleitoral – 25 minutos no rádio e 22 minutos na televisão – do candidato do PT, e conseguiu uma decisão favorável, do desembargador Magno Oliveira. No entanto, a campanha de Elmano entrou com outro mandado de segurança e a desembargadora responsável por analisar o caso, Luciana Arruda, determinou que o colegiado do TRE-CE julgasse o pedido, suspendendo temporariamente a perda do tempo de rádio e TV. No julgamento pelo colegiado do TRE-CE, na segunda-feira, duas desembargadoras, Arsênia Parente Breckenfeld e Luciana Melo Madruga Fernandes Arruda, discordaram do pedido de direito de resposta do candidato do PSDB e entenderam que a propaganda utilizou declarações autênticas e que a comparação entre acontecimentos públicos não configurava uma descontextualização grave. O candidato do PSDB também conseguiu direito de resposta em perfis de aliados do governador, como o coordenador da campanha petista, o ex-secretário Chagas Vieira, candidato a suplente ao Senado. O TRE-CE determinou a retirada de uma publicação feita por Chagas Vieira nas redes sociais, que usou uma imagem digitalmente manipulada para criar a aparência de que Ciro apoiaria Flávio. O número 45, do PSDB de Ciro, foi substituído digitalmente por material relacionado à candidatura de Flávio e a publicação era acompanhada da legenda: “Uma imagem vale mais do que mil palavras. #cirotraidor”. No direito de resposta publicado no perfil de Chagas Vieira, Ciro afirma que está neutro na disputa presidencial. “Ciro Gomes não esconde sua relação à disputa presidencial: ele não apoia nenhum candidato à Presidência da República. Sua preocupação é, unicamente, com o futuro do Estado do Ceará”, diz o direito de resposta de Ciro. Ao falar com a imprensa nesta terça-feira, em Fortaleza, Ciro criticou a campanha do petista e acusou o senador Camilo Santana (PT), seu adversário político, de tentar “traficar influência em Brasília”, junto ao TSE, para reverter a decisão do TRE-CE. “É uma decisão que eu não celebro porque não é coisa que se celebre, mas é muito chocante que você faça uma campanha como foi feita em que 76 minutos – praticamente o resto da campanha inteira – sejam dedicados não a propor soluções para problemas graves do Ceará ou para prestar contas de um governo que está aí”, disse, acusando Elmano de tentar agredi-lo na propaganda. “A Justiça se fez. Já começou hoje. Todos os comerciais do Elmano serão substituídos por uma nota denunciado que a Justiça Eleitoral mandou tirar do ar essa propaganda que mentia para a população.” Procurada pela reportagem, a campanha de Elmano afirmou apenas que recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral.
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