INTERNACIONAL

Colonos de Israel fazem novo ataque contra casas na Cisjordânia

Dezenas de colonos israelenses militantes e mascarados atacaram neste sábado casas nos arredores da aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada.…

Dezenas de colonos israelenses militantes e mascarados atacaram neste sábado casas nos arredores da aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada. Foi o primeiro grande ataque desde que um cerco de colonos na região, no início deste mês, provocou indignação internacional.

Os colonos cercaram uma casa palestina e atiraram pedras enquanto sete palestinos estavam presos no interior, segundo testemunhas ouvidas pela Reuters.

Saddam Oday, um dos que ficaram presos, disse que militares israelenses dispararam gás lacrimogêneo contra a casa e detiveram os moradores que estavam no interior, enquanto permitiram que ele saísse. De acordo com Oday, os militares não detiveram nenhum dos colonos e permitiram que eles deixassem o local.

O proprietário da casa, Luay Bayruti, afirmou que, quando os militares chegaram, algemaram, vendaram e agrediram as pessoas que estavam no interior, antes de libertá-las posteriormente.

As Forças Armadas de Israel disseram em comunicado que soldados e integrantes da polícia de fronteira chegaram ao local para retirar “manifestantes violentos” e proteger os moradores que estavam dentro da casa.

Os militares não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre os relatos de que teriam disparado gás lacrimogêneo contra a casa e detido e agredido os moradores.

Em sua primeira declaração pública sobre Qusra, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condenou a violência na aldeia e atribuiu os ataques a um “punhado de manifestantes violentos”.

“Condeno veementemente os atos criminosos de violência cometidos nas aldeias de Qusra e Jalud”, disse Netanyahu, referindo-se a um incidente separado em uma aldeia vizinha.

Os Estados Unidos haviam pressionado Netanyahu a condenar publicamente os colonos militantes que cercaram palestinos em suas casas, disseram autoridades americanas e israelenses à Reuters há cerca de duas semanas.

O governo israelense já atribuiu anteriormente a violência de colonos a uma “minoria marginal”, caracterização contestada pelas conclusões de grupos de direitos humanos.

Uma investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu em junho que autoridades israelenses estão diretamente envolvidas em ataques de colonos que mataram, feriram e expulsaram palestinos de suas casas na Cisjordânia ocupada. A missão israelense em Genebra rejeitou as conclusões do relatório.
Luay Bayrudi, proprietário de uma casa que foi alvo de um ataque de colonos, em frente ao centro médico de Qusra, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 29 de agosto de 2026
REUTERS/Ammar Awad

Morador relata incursões quase diárias
Bayruti disse que, depois de pedir ajuda aos militares israelenses, ele e outras seis pessoas ficaram presos dentro da casa por mais de uma hora enquanto colonos atiravam pedras.

Ele mostrou a um repórter da Reuters seu braço enfaixado, que, segundo afirmou, foi ferido por uma pedra durante o ataque.

Oday, que é socorrista, disse que quatro das pessoas que ficaram presas sofreram ferimentos devido ao gás lacrimogêneo e outras duas ficaram feridas pelas pedras lançadas pelos colonos.

O ataque ocorreu a algumas centenas de metros de três casas que foram cercadas por colonos neste mês, episódio que provocou condenação internacional e levou a uma grande mobilização militar israelense que, segundo moradores, os mantém praticamente confinados em suas casas.

“Eles viram os moradores trabalhando na casa, que ainda está em construção, e começaram a atirar pedras”, disse Loui Ridi, palestino-americano cuja casa estava entre as três cercadas neste mês. Ele afirmou ter acompanhado o ataque deste sábado de sua casa.

Ridi disse ter presenciado incursões quase diárias de colonos israelenses na área ao redor de sua casa, apesar da forte presença militar israelense na região.
Um soldado israelense patrulha o local de um ataque de colonos israelenses contra propriedades palestinas na aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada, no sábado, 29 de agosto de 2026
AP Photo/Majdi Mohammed

Violência de colonos está em alta
Grupos de direitos humanos afirmam que a presença crescente de colonos nos arredores de aldeias palestinas como Qusra faz parte de um esforço mais amplo para tomar terras dos palestinos, reduzindo ainda mais o território onde eles pretendem estabelecer um Estado.

A violência de colonos judeus na Cisjordânia ocupada aumentou, com alguns deles encorajados pelo governo Netanyahu, que supervisionou uma ampla expansão dos assentamentos no território.

Órgãos da ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional aplicável a ocupações militares. Israel rejeita essa interpretação e considera a região um território disputado, e não ocupado.

Fonte: Valor Econômico

Perguntas frequentes

Respostas institucionais sobre esta cobertura, fontes e limites editoriais.

Sobre o que trata “Colonos de Israel fazem novo ataque contra casas na Cisjordânia”?
Dezenas de colonos israelenses militantes e mascarados atacaram neste sábado casas nos arredores da aldeia de Qusra, na Cisjordânia ocupada. Foi o primeiro grande ataque desde que um cerco de colonos na região, no início deste…
Por que Internacional importa agora?
O tema impacta decisões e debates cotidianos ligados a Internacional. A redação destaca fatos, datas e implicações práticas sem substituir orientação profissional personalizada.
Quem edita o conteúdo do Estrato Política?
A cobertura é produzida e revisada pela equipe editorial do Estrato Política, com editor-chefe responsável pela linha editorial. Conheça a redação em https://politica.estrato.cc/equipe/.
Quais fontes o Estrato prioriza?
Priorizamos fontes primárias (órgãos oficiais, balanços, estudos revisados, documentos públicos) e cruzamos informações antes da publicação, conforme a política editorial.
Como solicitar correção de uma matéria?
Envie o pedido pela página de Correções (https://politica.estrato.cc/correcoes/) ou Contato (https://politica.estrato.cc/contato/). Erros materiais são corrigidos com registro da atualização.
O conteúdo constitui aconselhamento profissional?
Não. As matérias têm caráter informativo e jornalístico. Decisões financeiras, de saúde, jurídicas ou educacionais devem considerar profissionais habilitados e a sua situação particular.
Onde acompanhar a política editorial do Estrato Política?
Metodologia, ética e transparência estão em https://politica.estrato.cc/metodologia/, https://politica.estrato.cc/etica-editorial/ e https://politica.estrato.cc/politica-editorial/.
Como o Estrato trata temas sensíveis (YMYL)?
Temas que afetam dinheiro, saúde e bem-estar recebem revisão editorial reforçada, disclaimer visível e links para páginas institucionais de metodologia e correções. Portal: https://politica.estrato.cc/
WhatsApp X LinkedIn
Compartilhar: LinkedIn
Camila Rocha

Camila Rocha

Camila Rocha integra a equipe editorial do Estrato Política, vertical da rede Estrato, na função de Repórter de Justiça e poder. O escopo permanente de cobertura inclui STF e instituições, com atenção ao leitor brasileiro que busca contexto factual, datas oficiais e implicações práticas. Na produção diária, prioriza fontes primárias (órgãos públicos, balanços, papers e documentos oficiais), cruza pelo menos duas referências independentes quando o tema é contestado e evita manchetes que prometam certeza onde há incerteza. Critérios de qualidade: lead com o fato principal, atribuição clara de autoria da equipe Estrato, atualização com selo quando há mudança material e linguagem acessível sem simplificar demais o risco ou o contexto. Trabalha sob revisão da mesa editorial e do editor-chefe do portal. Matérias YMYL recebem segunda leitura antes da publicação e podem ser atualizadas quando surgem novos dados oficiais. Limites: este perfil descreve o papel editorial na marca Estrato. O conteúdo publicado é informativo e não constitui aconselhamento médico, financeiro, jurídico ou profissional personalizado. Transparência ao leitor: metodologia em /metodologia/, ética em /etica-editorial/, correções em /correcoes/, equipe em /equipe/ e canal em /contato/ ([email protected]). Na página-mãe da rede, a bio ampliada e o arquivo de matérias ficam em estrato.cc/blog/, com link para o arquivo do autor em cada portal.

Deixe um comentário