INTERNACIONAL

Lula convida empresários e banqueiros para jantar no Alvorada

De olho em ampliar seu eleitorado a pouco mais de um mês do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula…

De olho em ampliar seu eleitorado a pouco mais de um mês do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou empresários e banqueiros para participarem de um jantar, nessa segunda-feira (31), no Palácio da Alvorada. A ideia do chefe do Executivo é reduzir a resistência à sua reeleição neste segmento.
Nas últimas semanas, a equipe da campanha de Lula vem fazendo um esforço de aproximar as propostas do presidente ao empresariado, na tentativa de furar uma bolha no campo. Como forma de fazer essa ponte, o núcleo petista estabeleceu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, como o porta-voz com o segmento.
Em paralelo, porém, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, hoje principal adversário de Lula ao Palácio do Planalto, tem feito trabalho semelhante. Na última segunda-feira (24), o parlamentar buscou diálogo com empresários em duas agendas na capital paulista. Na ocasião, ele incluiu no roteiro uma visita à reunião da diretoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e confirmou presença em uma premiação da revista Veja para empresas de 30 setores.
A leitura de petistas é que, embora parte do mercado ainda tenha ressalvas em relação a Flávio na disputa presidencial, a rejeição a Lula permanece elevada e dificulta a conquista de apoios às vésperas da eleição de outubro. Isso porque alguns economistas têm alertado que medidas lançadas pelo governo federal podem elevar a dívida pública e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central (BC).
Desde o início deste mandato de Lula, a dívida bruta da gestão já subiu mais de 8 pontos percentuais em relação ao Produto Interno Bruto, superando os 80% do PIB. Além disso, tanto o Executivo quanto especialistas projetam que o indicador continuará em alta nos próximos anos.
Diante desse quadro, como mostrou o Valor, o atual chefe do Executivo tem sido orientado a se aproximar desse eleitorado. Uma ala da campanha defende que Lula evite assumir compromissos de elevado impacto fiscal durante a disputa eleitoral. A avaliação é que uma campanha sem propostas que possam gerar insegurança no mercado ampliaria a margem de manobra para um eventual novo governo negociar sua agenda e implementar medidas consideradas necessárias.
Na última quinta-feira (27), Lula tentou fazer aceno aos empresários ao falar, durante entrevista à TV Globo, que a responsabilidade fiscal “baliza” sua vida. Por outro lado, contudo, disse não se preocupar com a dívida pública do Brasil.
“A mim, não me preocupa a dívida pública. Herdei este governo, em janeiro de 2023, com déficit fiscal de 2,8%. Sabe quanto vai ser o superávit primário deste ano? 0,1%”, afirmou do chefe do Executivo. “Se tem alguém neste país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, complementou, na semana passada.
Segundo aliados, desde o início do terceiro mandato, em 2023, Lula foi aconselhado a construir uma interlocução mais próxima com empresários, tanto para facilitar a governabilidade quanto para reduzir resistências no setor. O presidente, no entanto, não seguiu essa estratégia e, na avaliação de interlocutores, acabou se distanciando ainda mais do segmento. Eles afirmam que havia interesse do empresariado em ampliar o contato direto com o petista, mas as oportunidades para estreitar esse diálogo não foram aproveitadas.

Fonte: Valor Econômico

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Marcelo Dias

Marcelo Dias

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